Os dias têm sido um quarto pequeno e desorganizado
com carros passando a cada respiro
com gotas gastando a pedra e gastando-se
na perda de tempo comigo.
Os casos têm sido um quarto grande e vazio
com um lençol branco e limpo, sem uma mancha sequer
com os pés da cama flutuando de tanta falta,
estática parede ao pé do ouvido.
Os olhos têm sido um quarto por alugar
à espera ansiosa de uma nova companhia
à espera de histórias, aventuras, casos de polícia,
mas à espera e sempre à espera.
Enquanto dobro papéis nada acontece.
Enquanto peço permissão pra dobrar papéis
não acontece nada além do que se espera.
Ao se render à dobradura de papéis... Nada mais.
Surgem olhares amarelos em quartos que nunca deixarão de ser
[quartos
sugestões que jamais seriam sugestões segundo o olhar ingênuo de
[quem acredita
desilusões quanto ao ombro que, vira-e-mexe, volta a ser tapete
frases afirmativas com sujeitos auxiliares que se dizem em
[prontidão. Sempre.
Enquanto dobro papéis nada acontece.
Enquanto peço permissão pra dobrar papéis
não acontece nada além do que se espera
de quem se rende à dobradura de papéis e nada mais.
Meus olhos têm sido um quarto por alugar.
Eles têm sido o a-lugar.
Goiânia: 2007/12/13.
segunda-feira, 24 de dezembro de 2007
Vivemos numa época em que salvar a própria vida é lucro, e pensar em salvar a alheia é troco
De que adianta ser Michelângelo
se o relógio não anda
e o lugar não muda?
Os calos de violão, as lágrimas em pó
ou sete palmos ou sete estágios no subnível quando só, Beatriz
os cabelos grandes, respeito à Renascença
os cabelos curtos, máscara pra conviver com a auter-crença
De que adianta ser Leonardo, o pintor
se o cantor é que anda
e faz parar o reloginho das mulheres?
É um murro em vão no moinho
uma conversa com um botânico em Weimar
uma coroa de espinhos
e um boticário a pseudomatar mil e quinhentos anos depois
O ciúme de Goethe, o ciúme de Otelo
o ciúme de D. casmurro, O ciúme de Kurt Cobain
De que adianta pensar no que não tem
se não dá tempo de correr atrás?
se o relógio não adianta quando próximo a mim
mesmo sendo eu um comedor voraz?
Hannibal tinha razão?
Hannibal Lecter. Ele tinha razão?!
Isso é ridículo,
cobrar-se uma conta por existir é ridículo
Paranóia é coisa de viado.
Depressão é coisa de bichinha.
“Vira homem, rapaz.
Vai comer umas bucetas!”
“Sua vida não tem graça
Se não bebe não tem graça
Pra que seguir as regras?
Eu não. Eu sei que o sistema existe,
mas não o sigo.
Vamos tomar uma hoje?”
Sabe quem tinha razão?
O cara do “Clube da luta”
O cara do “Amnésia”
O cara do “Identidade”
As ninfas de “Cidade dos sonhos”
O David Lynch, o Mel Gibson
A pele de Cristo sendo arrancada
em casa elisabetana de áudio e vídeo
Sabe quem mais tinha razão?
A Nicole Kidman com o nariz novo
O Humberto Gessinger ao escrever “Dom Quixote”
O Dave Matthews ao cavar a minha cova
“Gravedigger”, “Ants marching”
“I’m b(u)orning in the eyes of The Maker”
Jim Morrison – The End
Pink Floyd – The Wall
“We don’t need an(y) education”
Eles estão corretos
São eles que merecem citação
Eles, eles são OS CARAS
Não à repetição, não à não-criação
(“Como nossos pais” é o caralho!)
Gritemos vivas de olhos abertos ao Homer
e não deixemos que nossos pais percam um episódio sequer d’Os Simpsons
nem da Família Dinossauros.
Os outros somos nós, Nicole
OS outros somos nós
Mas nem Jostein Gaarder
nem a adolescente no espelho nos farão ver
não importa quantas vezes entremos no barco
O coelho corre e Alice cai
e o coelho corre, muitos não cabem na porta
assistem sombras coloridas no século XXI
Os outros somos nós, Nicole
Os outros, cada vez mais,
Teimam em ser nós
cada vez mais e com menos sonhos
Nós: “Laranjas mecânicas”.
Goiânia: 2007/12/14
se o relógio não anda
e o lugar não muda?
Os calos de violão, as lágrimas em pó
ou sete palmos ou sete estágios no subnível quando só, Beatriz
os cabelos grandes, respeito à Renascença
os cabelos curtos, máscara pra conviver com a auter-crença
De que adianta ser Leonardo, o pintor
se o cantor é que anda
e faz parar o reloginho das mulheres?
É um murro em vão no moinho
uma conversa com um botânico em Weimar
uma coroa de espinhos
e um boticário a pseudomatar mil e quinhentos anos depois
O ciúme de Goethe, o ciúme de Otelo
o ciúme de D. casmurro, O ciúme de Kurt Cobain
De que adianta pensar no que não tem
se não dá tempo de correr atrás?
se o relógio não adianta quando próximo a mim
mesmo sendo eu um comedor voraz?
Hannibal tinha razão?
Hannibal Lecter. Ele tinha razão?!
Isso é ridículo,
cobrar-se uma conta por existir é ridículo
Paranóia é coisa de viado.
Depressão é coisa de bichinha.
“Vira homem, rapaz.
Vai comer umas bucetas!”
“Sua vida não tem graça
Se não bebe não tem graça
Pra que seguir as regras?
Eu não. Eu sei que o sistema existe,
mas não o sigo.
Vamos tomar uma hoje?”
Sabe quem tinha razão?
O cara do “Clube da luta”
O cara do “Amnésia”
O cara do “Identidade”
As ninfas de “Cidade dos sonhos”
O David Lynch, o Mel Gibson
A pele de Cristo sendo arrancada
em casa elisabetana de áudio e vídeo
Sabe quem mais tinha razão?
A Nicole Kidman com o nariz novo
O Humberto Gessinger ao escrever “Dom Quixote”
O Dave Matthews ao cavar a minha cova
“Gravedigger”, “Ants marching”
“I’m b(u)orning in the eyes of The Maker”
Jim Morrison – The End
Pink Floyd – The Wall
“We don’t need an(y) education”
Eles estão corretos
São eles que merecem citação
Eles, eles são OS CARAS
Não à repetição, não à não-criação
(“Como nossos pais” é o caralho!)
Gritemos vivas de olhos abertos ao Homer
e não deixemos que nossos pais percam um episódio sequer d’Os Simpsons
nem da Família Dinossauros.
Os outros somos nós, Nicole
OS outros somos nós
Mas nem Jostein Gaarder
nem a adolescente no espelho nos farão ver
não importa quantas vezes entremos no barco
O coelho corre e Alice cai
e o coelho corre, muitos não cabem na porta
assistem sombras coloridas no século XXI
Os outros somos nós, Nicole
Os outros, cada vez mais,
Teimam em ser nós
cada vez mais e com menos sonhos
Nós: “Laranjas mecânicas”.
Goiânia: 2007/12/14
Matéria-prima
Faz um tempo
A Esperança faz um tempo como ninguém faz
A filha da Esperança chama Paz
Faz um tempo
Faça um tempo com pitadas de neve
Pra clarear o coração de quem te leva
Com objetivo de te abandonar
E a esperança queima
Branco neve, preto carvão
O quadro-negro é verde
E a água, transparente a olho nu
Às vezes verde, às vezes azul
Como o céu, espelho d’água
Fábula, bola no aquário
Pula-pula, carrossel
Gira a girafa com pescoço de escorrega
Pique-pega, caio com as mãos na areia
Matéria-prima da imaginação
Nuvem
Matéria-prima da imaginação
Papel
Matéria-prima da imaginação
Mãos
Matéria-prima da imaginação
Arte
Matéria prima da imaginação
Matemática
Matéria prima da imaginação
Música
Matéria prima da imaginação
Civilização
Obra prima-irmã do tempo
Goiânia: 2007/12/17.
A Esperança faz um tempo como ninguém faz
A filha da Esperança chama Paz
Faz um tempo
Faça um tempo com pitadas de neve
Pra clarear o coração de quem te leva
Com objetivo de te abandonar
E a esperança queima
Branco neve, preto carvão
O quadro-negro é verde
E a água, transparente a olho nu
Às vezes verde, às vezes azul
Como o céu, espelho d’água
Fábula, bola no aquário
Pula-pula, carrossel
Gira a girafa com pescoço de escorrega
Pique-pega, caio com as mãos na areia
Matéria-prima da imaginação
Nuvem
Matéria-prima da imaginação
Papel
Matéria-prima da imaginação
Mãos
Matéria-prima da imaginação
Arte
Matéria prima da imaginação
Matemática
Matéria prima da imaginação
Música
Matéria prima da imaginação
Civilização
Obra prima-irmã do tempo
Goiânia: 2007/12/17.
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