CHORO CÍLIOS ENQUANTO POSSO PISCAR
CHORO-OS ENQUANTO HÁ COMO E PORQUÊ
CHORO ATÉ SOLUÇAR
E ESQUECER A RAZÃO DE HAVER CHORO
ABRO A JANELA E PERCEBO O CORO
QUE PROFETIZA O FUTURO PELO CHORO
FECHO A JANELA, ABRO OS OLHOS, CALO O CHORO
ESQUEÇO O CÓRUS, CRIAM-SE CALOS NAS CÓRNEAS
E TODOS FAZEM O MESMO
E OS CÍLIOS A CAIR
ENTÃO RIO, RIO ATÉ NÃO MAIS PODER
RIO DE CÍLIOS CAÍDOS, DO VERTER PÁLPEBRAS
EIS QUE ME LEMBRO DO PORQUÊ E DESEJO O CONTRÁRIO DISSO
DESEJO NUNCA MAIS OUVIR TAL SINFONIA
EMBORA QUEIRA MEUS CÍLIOS, TODOS, SEM RAZÃO DE SER,
DE VOLTA, DE ONDE
NUNCA
DEVERIAM TER SAÍDO
sexta-feira, 27 de junho de 2008
Polir ritmo
A lembrança é estreita, me aperto
Expremido amarelo, me expresso
Caldo desgostoso, peito aberto
Comida de rato de esgoto certo
Sardinha no piano, martelo
Idéias em ondas, andante
Respiração sinédoque, braqueante
Guelreado e impróprio à ATP
Ânsia daquilo no vacúolo
Volta o cão arrependido pelo mar
Expremido pelo medo, apertado pelo receio
De não ser desenho animado: “-Continue a nadar”
Esqueço, esqueça. Diástole e Sístole
Juntos na pausa pintando descanso
Som a cada vez que tem que soar
Pausa a cada vez que tem que respirar
Caixa de teclas. Tecmus, musisax
Saída pela tangente, tanta gente quânta
Quanta gente tantã: metralhadora de vendas
Som a cada vez que LEMBRANÇARDINHÃNSIADAQUILODOCÃO
Somos pausa cada vez que devemos soar
Somos som quando não conseguimos mais respirar
Réquiem para contemplação
Restos de um mundo sem Sol
Iscas de anzol ao fim de tudo
E nenhum Da cappo nos rearranjará.
Expremido amarelo, me expresso
Caldo desgostoso, peito aberto
Comida de rato de esgoto certo
Sardinha no piano, martelo
Idéias em ondas, andante
Respiração sinédoque, braqueante
Guelreado e impróprio à ATP
Ânsia daquilo no vacúolo
Volta o cão arrependido pelo mar
Expremido pelo medo, apertado pelo receio
De não ser desenho animado: “-Continue a nadar”
Esqueço, esqueça. Diástole e Sístole
Juntos na pausa pintando descanso
Som a cada vez que tem que soar
Pausa a cada vez que tem que respirar
Caixa de teclas. Tecmus, musisax
Saída pela tangente, tanta gente quânta
Quanta gente tantã: metralhadora de vendas
Som a cada vez que LEMBRANÇARDINHÃNSIADAQUILODOCÃO
Somos pausa cada vez que devemos soar
Somos som quando não conseguimos mais respirar
Réquiem para contemplação
Restos de um mundo sem Sol
Iscas de anzol ao fim de tudo
E nenhum Da cappo nos rearranjará.
Ponto de vista
Os carros bateram pela última vez. De longe vi os destroços que voavam pra todas as direções, estilhaços de aço e de vidro que cortavam o ar e me trespassavam. Com a calma de uma mãe que carrega uma criança enferma no colo, olhei um pedaço de espelho que acabara de tocar meus pés. Olhei no espelho e não me vi, eis que perdia meu reflexo. Percebi o céu como nunca antes havia feito, e uma dor no peito aumentava, dançando no mesmo ritmo que o aumento da mancha vermelha que pintava o mundo em mim, abaixo do meu queixo, no meu externo. Sentia o peso do mundo deitado em meio a pessoas que, sem dispor de conhecimento técnico para socorro, apenas espectavam. Coração batendo em decrescendo, unhas que não tardariam a nunca mais serem pintadas, brincos que se jogaram do meu corpo buscando uma última chance de reluzir ao meio-dia de uma semana qualquer, que vem, que viria... Reflexos de um mundo objetado, cacos de amor em estado gasoso cada vez mais diluídos. Ruídos e luz piscante, despedida sem relação com as tradições que escolhera eu ignorar. Foi-se o tempo que me tinha, agora o verbo “ter” nenhuma tradução permite, restou apenas o “apenas”, e minha teimosia em enxergar o mundo sem cores quase desapareceu. Talvez, se mais tempo me fosse permitido... (Choque – 1, 2, 3, 4 – Choque) Batimentos cardíacos, pulso regular, pupilas dilatadas. Mais carros colidirão. Meu tato em recuperação sente as gotas da chuva como pequenas descargas elétricas da natureza que nunca cursaram medicina, e guardam junto a outros mistérios, os segredos da vida, incluindo os meus. Calo meus pensamentos por breve instante e abro os olhos bem devagar, ainda labiríntica. Duvidei, mas estava lá. No alto, acima dos que me carregavam à ambulância, o arco-íris. A água fria que caía, a força dos gestos dos bombeiros retirando meu filho dos destroços do carro, até os gritos de “Ajudem, por favor”, tudo agora estava pintado. A meu ver, tudo tinha uma cor. Olhos e cores se entendendo. O mundo me refletia, o céu se mostrara meu melhor espelho. Eis que recupero meu reflexo.
Neblina
Dia de neblina
Como se a noite não tivesse fim
Passado
Estou feito em sua carne viva
Chuvas de notas que vestem seu corpo
E seduzem meus olhos, meus medos e anseios
Estou na corrente que trazes como enfeite
Assim como a veste que te compra a vista
Dia de chuva
de cinzas que enfeita a pele
que suja a corrente que usas
que suja a roupa que vestes
Dia de neblina como.
Se a noite não tivesse...
Fim passado.
Estou feito em sua carne.
Viva
Como se a noite não tivesse fim
Passado
Estou feito em sua carne viva
Chuvas de notas que vestem seu corpo
E seduzem meus olhos, meus medos e anseios
Estou na corrente que trazes como enfeite
Assim como a veste que te compra a vista
Dia de chuva
de cinzas que enfeita a pele
que suja a corrente que usas
que suja a roupa que vestes
Dia de neblina como.
Se a noite não tivesse...
Fim passado.
Estou feito em sua carne.
Viva
Conto de fadas
Encontro de conto de fadas
Mãos atadas ante o destino
Olhar de menino e alma gigante
Cante, cantemos de longe e de perto
sopremos sininhos
Suspiro a favor
do vento horizonte
Sem que
na fronte
Haja o rubor
Mãos atadas ante o destino
Olhar de menino e alma gigante
Cante, cantemos de longe e de perto
sopremos sininhos
Suspiro a favor
do vento horizonte
Sem que
na fronte
Haja o rubor
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