descalço em frente ás portas que me importam
esquento-me chamando de dentro
Enquanto cortam o nascer do sol,
o Momento
calça de gelo e relógio ao bolso
mão que só respira porque chama
braço, corpo e cabeça que não rendem
num Instante
o Som das batidas não invadem a rua
ninguém que se permita convidado
evito-me sangrar por novidades
pois som bastante vida traz aos pés
sem auto-piedade, somando,
procuro saber das horas o Momento
eis que perco o ser binãrio neste Instante
reunido em desTempo, neve-carvão
sábado, 23 de junho de 2007
quarta-feira, 13 de junho de 2007
as cadeiras aindas estão vazias...
Desde que o café ficou pronto, deixei de acompanhar o jornal das oito pra sentar à beira da casa, levando o pretinho pra tomar ar. Era ali que meus conpanheiros de conversa vinham me ver. A xícara da mão direita se retirava pra dar lugar aos pontuais acenos que eu me disciplinava em realizar. Embora estivessem com pressa, meus amigos, sempre de passagem, não deixavam de ter comigo dois dedos de prosa (minhas mãos agradeciam o labor): -Noite! -Tudo bom? -Bom, e o senhor? -Bom. -Paz, noite! Minha palavra final mexia com meus queridos amigos que ali passavam pra me ouvir bendizer seus passos. Agora era assim que eu realizava: aoceno.
Meu trabalho anda prejudicado. Comecei a ler sobre o que dizem a respeito de meu ofício... Desde então passei a tomar mais café, só assim pra ler mali-mais os escritos que tratam de minha profissão. Que triste! Após anos de progressiva ausência de clientes, descobri que o principal inimigo das bênçãos que eu praticava estava nascendo de minhas leituras.
Lembro-me de rezar o que me era sabido por vezes sacudindo pedaços de folhas verdes colhidas em tempo certo que tinha a ver com o intento da bendição. Hoje, os nomes dos procedimentos, que durante séculos sustentaram a salubridade do mundo, me escapam à saúde da memória. Melhor assim, disse o doutor. Meu doutor outro não se preocupa em dividir comigo o peso de minhas compras quando saio a caminho de casa depois de com ele tirar dúvidas sobre mim. Ele é diferente de nós. É assim que eu sinto, mas me aconselham os mais jovens que não devo ir por onde eu sinto, mas pelo que ouço. Não posso usar das oiças pra retrucar a ofensa que me desajeita o juízo que eu tenh... tinha. Ai...
Meu Deus, de onde posso eu tirar as forças de que careço pra deixar de tomar café?
Meu trabalho anda prejudicado. Comecei a ler sobre o que dizem a respeito de meu ofício... Desde então passei a tomar mais café, só assim pra ler mali-mais os escritos que tratam de minha profissão. Que triste! Após anos de progressiva ausência de clientes, descobri que o principal inimigo das bênçãos que eu praticava estava nascendo de minhas leituras.
Lembro-me de rezar o que me era sabido por vezes sacudindo pedaços de folhas verdes colhidas em tempo certo que tinha a ver com o intento da bendição. Hoje, os nomes dos procedimentos, que durante séculos sustentaram a salubridade do mundo, me escapam à saúde da memória. Melhor assim, disse o doutor. Meu doutor outro não se preocupa em dividir comigo o peso de minhas compras quando saio a caminho de casa depois de com ele tirar dúvidas sobre mim. Ele é diferente de nós. É assim que eu sinto, mas me aconselham os mais jovens que não devo ir por onde eu sinto, mas pelo que ouço. Não posso usar das oiças pra retrucar a ofensa que me desajeita o juízo que eu tenh... tinha. Ai...
Meu Deus, de onde posso eu tirar as forças de que careço pra deixar de tomar café?
órgão
Descalço em frente às portas que importam,
esquento-me, chamando de dentro,
o que cantam ao nascer do sol.
Calça de gelo e relógio de bolso,
mão que res-pira porque chama.
Braço, corpo e cabeça que não flama.
O som das batidas... invadem a rua.
Mas ninguém, se convidado,
permite sangrar-se, e nem
às novilanças trazidas ao pé
opor-se.
Sem auto-piedade, somando,
procuro saber das horas.
Pois que perco o serune.
Faz-se sabido, tragado,
trazido.
Um imenso e impreciso
neve-carvão.
esquento-me, chamando de dentro,
o que cantam ao nascer do sol.
Calça de gelo e relógio de bolso,
mão que res-pira porque chama.
Braço, corpo e cabeça que não flama.
O som das batidas... invadem a rua.
Mas ninguém, se convidado,
permite sangrar-se, e nem
às novilanças trazidas ao pé
opor-se.
Sem auto-piedade, somando,
procuro saber das horas.
Pois que perco o serune.
Faz-se sabido, tragado,
trazido.
Um imenso e impreciso
neve-carvão.
pintando o oito
Os movimentos que observo,
Eu a caminhar e, dançando,
Agarro a ti e, volta e meia,
A mão direita segurando,
Dando tchau com a sinistra,
que a direita corresponde,
Estando a sua me agarrando,
O s corpos se avermelhando,
O mundo gira, e nós parados
à conduzir os dedos
rumo ao firmamento.
Os sem-limites riem pés que constituem
Espaço, espaço, espaço
Não mais passa o tempo
Não mais vento
Não mais olham o chão
Não mais não
E tudo é soma
Após frutos permissivos
e cores sapientes sem tamanho
chamam cilo-pés humanos
os que pintam o infinito.
Eu a caminhar e, dançando,
Agarro a ti e, volta e meia,
A mão direita segurando,
Dando tchau com a sinistra,
que a direita corresponde,
Estando a sua me agarrando,
O s corpos se avermelhando,
O mundo gira, e nós parados
à conduzir os dedos
rumo ao firmamento.
Os sem-limites riem pés que constituem
Espaço, espaço, espaço
Não mais passa o tempo
Não mais vento
Não mais olham o chão
Não mais não
E tudo é soma
Após frutos permissivos
e cores sapientes sem tamanho
chamam cilo-pés humanos
os que pintam o infinito.
às pedras, com carinho
A cata-pedra com seu jeito lapidar
Purifica o sêmen pagão,
Presenteia, apresenta: produção
de imagens turvas.
Atravessa os filhos d'água.
Inda estão a preçoar a mágoa.
Com tudo vejo-a fazer-se sã do sol
Dança a driblar isca e anzol,
de suor-rizos, tilintar de guizos.
Determina o que quer que se compre
Não se perde pelas partes impuras da terra
Produz cacos pra que o chão, passado-muro,
se consagre ao seu bel prazer passar.
Sons que vejo, passar que percebo
desejo-tenho: transmutar meu organismo
mais que ar, menos que pó
danço a música das luzes
que refletes: meu metamorfosear.
Purifica o sêmen pagão,
Presenteia, apresenta: produção
de imagens turvas.
Atravessa os filhos d'água.
Inda estão a preçoar a mágoa.
Com tudo vejo-a fazer-se sã do sol
Dança a driblar isca e anzol,
de suor-rizos, tilintar de guizos.
Determina o que quer que se compre
Não se perde pelas partes impuras da terra
Produz cacos pra que o chão, passado-muro,
se consagre ao seu bel prazer passar.
Sons que vejo, passar que percebo
desejo-tenho: transmutar meu organismo
mais que ar, menos que pó
danço a música das luzes
que refletes: meu metamorfosear.
pérola dissonante
Eu te transformo quando quero
sem passes de mágica, labuta.
Se se encontra parada vendo o belo,
queira-se e trabalhe. Senta e escuta.
Tal e como o colo de mãe: exemplos
de perda de células pra ganho de pérolas,
arranque-se dos brinquedos-raízes,
treinamento de medidas.
Caminhe criando seus próprios contentos.
Sei das preces e de como ditam pressas;
se deprenda das túnicas vigilantes;
Tape todos os ouvidos. Caminhante,
dite ao tempo o ócio, perca a remessa.
O trabalho artesanal dói quando deixa
o que viria de lado se acabar na sua frente.
não importa quantos anos tens! Aumente
a vontade de guiar-se por si, Cálida.
sem passes de mágica, labuta.
Se se encontra parada vendo o belo,
queira-se e trabalhe. Senta e escuta.
Tal e como o colo de mãe: exemplos
de perda de células pra ganho de pérolas,
arranque-se dos brinquedos-raízes,
treinamento de medidas.
Caminhe criando seus próprios contentos.
Sei das preces e de como ditam pressas;
se deprenda das túnicas vigilantes;
Tape todos os ouvidos. Caminhante,
dite ao tempo o ócio, perca a remessa.
O trabalho artesanal dói quando deixa
o que viria de lado se acabar na sua frente.
não importa quantos anos tens! Aumente
a vontade de guiar-se por si, Cálida.
caminhada
O sujeito lê com o mundo ao ventre
Que todo o ar expelido pode ser reciclado
porque, mesmo sujo, hàrvores,
só por serem o que são.
O sem jeito lê e não respira,
têm rizóides entupidas, tragam enxofre
a força do além age
sem piedade.
Parada obrigatória, cômodo queimar.
Se leio, sei que tenho pés pra caminhar
e pra dizer que cansei porque, um dia,
carreguei,por vários dias,
o necessário filho das letras.
Assim vou caminhadno...
Que todo o ar expelido pode ser reciclado
porque, mesmo sujo, hàrvores,
só por serem o que são.
O sem jeito lê e não respira,
têm rizóides entupidas, tragam enxofre
a força do além age
sem piedade.
Parada obrigatória, cômodo queimar.
Se leio, sei que tenho pés pra caminhar
e pra dizer que cansei porque, um dia,
carreguei,por vários dias,
o necessário filho das letras.
Assim vou caminhadno...
mym dog
O meu cachorro de cor preta
e raça vira-lata
(e isso é lá nome de raça?!)
fareja de longe o osso,
investiga seu paradeiro,
identifica o meliante,
captura a presa
e sacia seu desejo de agosto
no natal.
O meu cachorro de cor preta
ao voltar pra casa
cuida da cria,
toma banho na banheira,
lambe os filhotes
e come o jantar.
Depois de bem servido,
vai dormir com um olho aberto
e outro fechado,
focinho atento...
Mesmo dormindo,
preza pelo bem estar de seu dono
e de todo patrimônio
que não é seu.
Vai pegar, fui!
e raça vira-lata
(e isso é lá nome de raça?!)
fareja de longe o osso,
investiga seu paradeiro,
identifica o meliante,
captura a presa
e sacia seu desejo de agosto
no natal.
O meu cachorro de cor preta
ao voltar pra casa
cuida da cria,
toma banho na banheira,
lambe os filhotes
e come o jantar.
Depois de bem servido,
vai dormir com um olho aberto
e outro fechado,
focinho atento...
Mesmo dormindo,
preza pelo bem estar de seu dono
e de todo patrimônio
que não é seu.
Vai pegar, fui!
família
Os círculos me acalmam pois preciso
o tempo, reclamando do serviço,
corrida mais tranqüilo que dormida
em colo. Dão comida a quem se irrita.
Mastigo,se fossem restos, comeria
movimento circular: mandíbula,
movimento circular: vigias,
círculo-caminhar: pés-de-pílula.
Mistura: abobrinha cozida com chuchu,
e um primo que me entrega ao delegado
por uma dívida assinada em cartório.
O dinheiro verbal que dei a tu
faz-me perceber o girar-mundo. O delgado
Me convida a um faminto velório.
o tempo, reclamando do serviço,
corrida mais tranqüilo que dormida
em colo. Dão comida a quem se irrita.
Mastigo,se fossem restos, comeria
movimento circular: mandíbula,
movimento circular: vigias,
círculo-caminhar: pés-de-pílula.
Mistura: abobrinha cozida com chuchu,
e um primo que me entrega ao delegado
por uma dívida assinada em cartório.
O dinheiro verbal que dei a tu
faz-me perceber o girar-mundo. O delgado
Me convida a um faminto velório.
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