"Sinto-me em quarto escuro, mas este não é apenas mais um daqueles que olhamos, ignorando o seu passado. Estou no quarto d'antes de minha mãe... agora escuro (o seu silêncio não me causa menos aflição que sua penumbra no rosto). Busquei conforto, mas tinha-me tenso. Procurei aconchego, encontrei-o... no chão. Foi o que pôde ser oferecido a mim naquele instante. É engraçado como atento-me a ti e não me notes. Quero conversar, não me ouves... isso por que fui?! Eu precisava, porém, agora encontro-me aqui. Como queria dizer-te isso, mesmo por palavras, te tocar os cabelos, sabendo que não receberia coisa alguma em troca, embora não tivesse a intenção de nada lhe cobrar. Hoje, me cobro o que devia a ti e me neguei tal dúvida aceitar. Mais uma vez, pergunto-me se tenho o direito de lamentar-me pelo que fiz. Te perdi. Disso sei. Saber..., minha racionalidade é o que menos me merece. Ela já me teve em demasia! Neste exato momento, se pudesse fazer-me teu novamente, seria lágrimas, as que derramastes quando me vias e bendizias meus passos. Eu, em troco, lhe dedicava minhas costas. Tome. Pegue. É seu! Não é muito. Contudo, é menos ainda sem tê-la. Disso, faça o que quiser. Tens o direito adquirido, através de minhas atitudes passadas, de bem entender-se sobre o que agora carregas. Só peço que me avises para que eu saiba que, bem ou mal, ocupei mais uma vez tuas preocupações... será-me emoção sentida, coração tocado por quem, um dia, o preencheu com tanto amor. Neste jardim a luz me cega. Não importa! Ainda é pouco! A vida continua!"Sentindo o desprezo do esquecimento, ele vira as costas enquanto ela, por causa deste simples movimento feito pelo bastardo, passa a ter lapsos de memória. Foi na clínica de repouso Acalanto, no quarto dos indigentes. Ela se negou o esforço de segurar a responsabilidade pela segunda vez.
(continua)

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