segunda-feira, 24 de dezembro de 2007
E tenho sido
com carros passando a cada respiro
com gotas gastando a pedra e gastando-se
na perda de tempo comigo.
Os casos têm sido um quarto grande e vazio
com um lençol branco e limpo, sem uma mancha sequer
com os pés da cama flutuando de tanta falta,
estática parede ao pé do ouvido.
Os olhos têm sido um quarto por alugar
à espera ansiosa de uma nova companhia
à espera de histórias, aventuras, casos de polícia,
mas à espera e sempre à espera.
Enquanto dobro papéis nada acontece.
Enquanto peço permissão pra dobrar papéis
não acontece nada além do que se espera.
Ao se render à dobradura de papéis... Nada mais.
Surgem olhares amarelos em quartos que nunca deixarão de ser
[quartos
sugestões que jamais seriam sugestões segundo o olhar ingênuo de
[quem acredita
desilusões quanto ao ombro que, vira-e-mexe, volta a ser tapete
frases afirmativas com sujeitos auxiliares que se dizem em
[prontidão. Sempre.
Enquanto dobro papéis nada acontece.
Enquanto peço permissão pra dobrar papéis
não acontece nada além do que se espera
de quem se rende à dobradura de papéis e nada mais.
Meus olhos têm sido um quarto por alugar.
Eles têm sido o a-lugar.
Goiânia: 2007/12/13.
Vivemos numa época em que salvar a própria vida é lucro, e pensar em salvar a alheia é troco
se o relógio não anda
e o lugar não muda?
Os calos de violão, as lágrimas em pó
ou sete palmos ou sete estágios no subnível quando só, Beatriz
os cabelos grandes, respeito à Renascença
os cabelos curtos, máscara pra conviver com a auter-crença
De que adianta ser Leonardo, o pintor
se o cantor é que anda
e faz parar o reloginho das mulheres?
É um murro em vão no moinho
uma conversa com um botânico em Weimar
uma coroa de espinhos
e um boticário a pseudomatar mil e quinhentos anos depois
O ciúme de Goethe, o ciúme de Otelo
o ciúme de D. casmurro, O ciúme de Kurt Cobain
De que adianta pensar no que não tem
se não dá tempo de correr atrás?
se o relógio não adianta quando próximo a mim
mesmo sendo eu um comedor voraz?
Hannibal tinha razão?
Hannibal Lecter. Ele tinha razão?!
Isso é ridículo,
cobrar-se uma conta por existir é ridículo
Paranóia é coisa de viado.
Depressão é coisa de bichinha.
“Vira homem, rapaz.
Vai comer umas bucetas!”
“Sua vida não tem graça
Se não bebe não tem graça
Pra que seguir as regras?
Eu não. Eu sei que o sistema existe,
mas não o sigo.
Vamos tomar uma hoje?”
Sabe quem tinha razão?
O cara do “Clube da luta”
O cara do “Amnésia”
O cara do “Identidade”
As ninfas de “Cidade dos sonhos”
O David Lynch, o Mel Gibson
A pele de Cristo sendo arrancada
em casa elisabetana de áudio e vídeo
Sabe quem mais tinha razão?
A Nicole Kidman com o nariz novo
O Humberto Gessinger ao escrever “Dom Quixote”
O Dave Matthews ao cavar a minha cova
“Gravedigger”, “Ants marching”
“I’m b(u)orning in the eyes of The Maker”
Jim Morrison – The End
Pink Floyd – The Wall
“We don’t need an(y) education”
Eles estão corretos
São eles que merecem citação
Eles, eles são OS CARAS
Não à repetição, não à não-criação
(“Como nossos pais” é o caralho!)
Gritemos vivas de olhos abertos ao Homer
e não deixemos que nossos pais percam um episódio sequer d’Os Simpsons
nem da Família Dinossauros.
Os outros somos nós, Nicole
OS outros somos nós
Mas nem Jostein Gaarder
nem a adolescente no espelho nos farão ver
não importa quantas vezes entremos no barco
O coelho corre e Alice cai
e o coelho corre, muitos não cabem na porta
assistem sombras coloridas no século XXI
Os outros somos nós, Nicole
Os outros, cada vez mais,
Teimam em ser nós
cada vez mais e com menos sonhos
Nós: “Laranjas mecânicas”.
Goiânia: 2007/12/14
Matéria-prima
A Esperança faz um tempo como ninguém faz
A filha da Esperança chama Paz
Faz um tempo
Faça um tempo com pitadas de neve
Pra clarear o coração de quem te leva
Com objetivo de te abandonar
E a esperança queima
Branco neve, preto carvão
O quadro-negro é verde
E a água, transparente a olho nu
Às vezes verde, às vezes azul
Como o céu, espelho d’água
Fábula, bola no aquário
Pula-pula, carrossel
Gira a girafa com pescoço de escorrega
Pique-pega, caio com as mãos na areia
Matéria-prima da imaginação
Nuvem
Matéria-prima da imaginação
Papel
Matéria-prima da imaginação
Mãos
Matéria-prima da imaginação
Arte
Matéria prima da imaginação
Matemática
Matéria prima da imaginação
Música
Matéria prima da imaginação
Civilização
Obra prima-irmã do tempo
Goiânia: 2007/12/17.
segunda-feira, 20 de agosto de 2007
Passeando
quarta-feira, 15 de agosto de 2007
O Relatório Valmer
sábado, 4 de agosto de 2007
nosso texto
meu amor
de noite ver te
ver te, noite verde
ver te, de noite
ver
ter
verter d'olhos nos meus nada verdes
nadar d'olhos nos olhos
como seus lábios
como seus lábios dizem
noite-e-dia-a-dia
como se fosse a primeira vez
terça-feira, 17 de julho de 2007
sábado, 23 de junho de 2007
som de relógio orgânico
esquento-me chamando de dentro
Enquanto cortam o nascer do sol,
o Momento
calça de gelo e relógio ao bolso
mão que só respira porque chama
braço, corpo e cabeça que não rendem
num Instante
o Som das batidas não invadem a rua
ninguém que se permita convidado
evito-me sangrar por novidades
pois som bastante vida traz aos pés
sem auto-piedade, somando,
procuro saber das horas o Momento
eis que perco o ser binãrio neste Instante
reunido em desTempo, neve-carvão
quarta-feira, 13 de junho de 2007
as cadeiras aindas estão vazias...
Meu trabalho anda prejudicado. Comecei a ler sobre o que dizem a respeito de meu ofício... Desde então passei a tomar mais café, só assim pra ler mali-mais os escritos que tratam de minha profissão. Que triste! Após anos de progressiva ausência de clientes, descobri que o principal inimigo das bênçãos que eu praticava estava nascendo de minhas leituras.
Lembro-me de rezar o que me era sabido por vezes sacudindo pedaços de folhas verdes colhidas em tempo certo que tinha a ver com o intento da bendição. Hoje, os nomes dos procedimentos, que durante séculos sustentaram a salubridade do mundo, me escapam à saúde da memória. Melhor assim, disse o doutor. Meu doutor outro não se preocupa em dividir comigo o peso de minhas compras quando saio a caminho de casa depois de com ele tirar dúvidas sobre mim. Ele é diferente de nós. É assim que eu sinto, mas me aconselham os mais jovens que não devo ir por onde eu sinto, mas pelo que ouço. Não posso usar das oiças pra retrucar a ofensa que me desajeita o juízo que eu tenh... tinha. Ai...
Meu Deus, de onde posso eu tirar as forças de que careço pra deixar de tomar café?
órgão
esquento-me, chamando de dentro,
o que cantam ao nascer do sol.
Calça de gelo e relógio de bolso,
mão que res-pira porque chama.
Braço, corpo e cabeça que não flama.
O som das batidas... invadem a rua.
Mas ninguém, se convidado,
permite sangrar-se, e nem
às novilanças trazidas ao pé
opor-se.
Sem auto-piedade, somando,
procuro saber das horas.
Pois que perco o serune.
Faz-se sabido, tragado,
trazido.
Um imenso e impreciso
neve-carvão.
pintando o oito
Eu a caminhar e, dançando,
Agarro a ti e, volta e meia,
A mão direita segurando,
Dando tchau com a sinistra,
que a direita corresponde,
Estando a sua me agarrando,
O s corpos se avermelhando,
O mundo gira, e nós parados
à conduzir os dedos
rumo ao firmamento.
Os sem-limites riem pés que constituem
Espaço, espaço, espaço
Não mais passa o tempo
Não mais vento
Não mais olham o chão
Não mais não
E tudo é soma
Após frutos permissivos
e cores sapientes sem tamanho
chamam cilo-pés humanos
os que pintam o infinito.
às pedras, com carinho
Purifica o sêmen pagão,
Presenteia, apresenta: produção
de imagens turvas.
Atravessa os filhos d'água.
Inda estão a preçoar a mágoa.
Com tudo vejo-a fazer-se sã do sol
Dança a driblar isca e anzol,
de suor-rizos, tilintar de guizos.
Determina o que quer que se compre
Não se perde pelas partes impuras da terra
Produz cacos pra que o chão, passado-muro,
se consagre ao seu bel prazer passar.
Sons que vejo, passar que percebo
desejo-tenho: transmutar meu organismo
mais que ar, menos que pó
danço a música das luzes
que refletes: meu metamorfosear.
pérola dissonante
sem passes de mágica, labuta.
Se se encontra parada vendo o belo,
queira-se e trabalhe. Senta e escuta.
Tal e como o colo de mãe: exemplos
de perda de células pra ganho de pérolas,
arranque-se dos brinquedos-raízes,
treinamento de medidas.
Caminhe criando seus próprios contentos.
Sei das preces e de como ditam pressas;
se deprenda das túnicas vigilantes;
Tape todos os ouvidos. Caminhante,
dite ao tempo o ócio, perca a remessa.
O trabalho artesanal dói quando deixa
o que viria de lado se acabar na sua frente.
não importa quantos anos tens! Aumente
a vontade de guiar-se por si, Cálida.
caminhada
Que todo o ar expelido pode ser reciclado
porque, mesmo sujo, hàrvores,
só por serem o que são.
O sem jeito lê e não respira,
têm rizóides entupidas, tragam enxofre
a força do além age
sem piedade.
Parada obrigatória, cômodo queimar.
Se leio, sei que tenho pés pra caminhar
e pra dizer que cansei porque, um dia,
carreguei,por vários dias,
o necessário filho das letras.
Assim vou caminhadno...
mym dog
e raça vira-lata
(e isso é lá nome de raça?!)
fareja de longe o osso,
investiga seu paradeiro,
identifica o meliante,
captura a presa
e sacia seu desejo de agosto
no natal.
O meu cachorro de cor preta
ao voltar pra casa
cuida da cria,
toma banho na banheira,
lambe os filhotes
e come o jantar.
Depois de bem servido,
vai dormir com um olho aberto
e outro fechado,
focinho atento...
Mesmo dormindo,
preza pelo bem estar de seu dono
e de todo patrimônio
que não é seu.
Vai pegar, fui!
família
o tempo, reclamando do serviço,
corrida mais tranqüilo que dormida
em colo. Dão comida a quem se irrita.
Mastigo,se fossem restos, comeria
movimento circular: mandíbula,
movimento circular: vigias,
círculo-caminhar: pés-de-pílula.
Mistura: abobrinha cozida com chuchu,
e um primo que me entrega ao delegado
por uma dívida assinada em cartório.
O dinheiro verbal que dei a tu
faz-me perceber o girar-mundo. O delgado
Me convida a um faminto velório.
tenho o que meu tempo de vida permite
mas as palavras só me soarão inteiras
eu não mais puder respirar
A incompletude me compõe e como negar o que me forma?
desde que separei escrever e escrevinhar,
joguei no espelho meus p´reconceitos
expus-me à auto-crítica.
estou me consumindo em letras minúsculas
Mas já sei reconhecer que meus lábios
não beijarão o sentido uno de palavras
que só conseguirei pensar alto
e ser julgado, amado e/ou odiado.
Meus cumprimentos à perfeição
ela me acompanha por onde passo
gritando melodias: "Você não sou eu".
começo recente
Olhos poucos atentos ao horizonte
Meus pés são meu foco
O destino, minha faca.
Eis que meu sangue liberta-me
da anestesia.
vi são, re-allhe
e significante que corre foge do gato.
Não paro minha leitura delirante
por causa. Se pauso, é só isso.
A medida que pessoa à pá lavra
cada semente põe um professor na figura
cada desavisado trabalha até hora-pós.
Quero demais saber se significo
o que não sei enquanto arcaico.
Minha posição não cabe no que sois
sobram lacunas que tem filhos,
que tem filhos... sapram "termos"
A fim de ter mais que humildade
Ao fim dos termos umidifico de perto
O que não pesa, trabalho gosto-de-adubo
Fecundar se bem se mal, ir horas-pós.
Esse não é o seu caso que egos desprezam,
O que não é seu problema é ao que meu zelo ser porta,
E nada mais passa quando
não mais aconselho como
cada cabeça de infindos pós-(t)-umos
de imprefeitos-papéis, papiros em pira.
Eis o centro integrado lesionado
e todas coisas todas em horas-pós.
estimativa
[roupas claras me desengrenam a vista]
Os meus ruídos de desgaste travam meus desejos vis.
A moral me enferruja a original libido.
Os meus produtos saem indefinidos,
sem desiluções e negação,
indefinidos: questão emocional.
São produtos-ex machina
sem marionetes-tudo.
Perdidas coordenadas que trazem meu destino orgânico,
perfídias atrasadas que me sujam com pólen, sois sã et
néctar da ferrugem [doce imagem da vida que emperra].
17/05/06
audire
Não há quem esteja do meu lado,
estando,
se mostrando pelos nomes, todos meus.
Eu (os "ós" sós tilintam -
és tão...), não estando só
brilham e vibram-me
os ouvi dos sãos.
geometria: deste, nada
há! há! há!
de lado, ao lado, são tás e buns
Cubículo.
Nas envenenadas quinas de fora
há sem é!
De lado a lado foram tás e buns
Retângulo.
No mundo cubo, dentro e fora
o que é não mais tem quinas.
Os lados se consomem e se fecundam
há! e há sem é! permutam dores.
Não há por todo sempre ecos,
seremos dia, diluídos em ar viscoso.
Não mais seda,
não mais tátil,
sinuosidade e transparência
em classificação de língua,
sede.
o nascimento da mãe
em substituição à autoria e aos sintomas do sucesso.
Meus tipos de problemas são exemplificãções espontâneas
que não adoecem sua classificação evocativa.
O meu próprio depois sem manchas gera
o então, um outro tipo de dificuldade.
Talvez as maneiras se dêem de todo o bem.
Por que conceito sinto sua má clinicitude?
Seu rísio não me representa seus livros.
Vou no então pelas lesões, vou afetando o tratamento,
retomando o necessário para andar sobre dois pés
de eliminados-calcanhares. A outra ponta do arco e lira
de gerações está por fios em queda branda ornamentado.
O natural é meu criado e a questão torna-se carga.
A ocorrência dos seus "quês" não são sabidos-geralmentes
Parecem sem tensão. E assim, entendo o que se pode.
Se o normal me ver tranqüilo, não se tem mais teu serviço.
Não tem quem diga: -Tamanho!,
que não tinha-se em: -Derrame!,
e se fez de dado vício
que não mais madurar possa.
Todo filho desse tipo
Pode passo evento-luz
Pesa a pausa e o silêncio
e se permite ombro-sonho.
filho de sangue e criação
jogadas no meu berço.
Pra que não encontrassem teus erros
levei minha manjedoura pelo calor a fora.
O cansaço toma forma de vozes:
a segunda conseqüência de meus atos
(corre sem ter como,
come sem ter como).
Desvaneço na saciedade da fadiga.
Meus dedos, um a um, perdem sua função.
Minha mão, solitária, se despede de meus braços,
(pois fim) tronco não mais, toco sem raízes,
tem clamor calado e manto (segure!).
"Nunca desistiram da perseguição,
lavaram os pés no meu sangue desejoso.
Antes de ouvir um bocado dos jurados..."
(silêncio suado, olhos abertos: morde).
baque
que se queira, que te chame?:
Telefone, telefax,
secretária, carta, "ou!"
flyer, walk-talk, bilhetinho,
ofício, mala-direta,
link ao vivo, carro-som.
Da maneira que me queres
que eu não queira:
tuas roupas calouras,
teus cabelos combinando
com as roupas, teus beijinhos
cor de virgem desbotando,
desconsolo de credítos
voadores distribuídos,
coração em desconsolo,
amor sem fundo, cheque e mate.
ópulo sapístico
os meus danados que me acabam?
O que acham dos meus gestos
que não se mostram no que dizes?
Se o que não se empresta como
o que se tem contido in puro
encerra comentário xulo
com "senhor" iniciando.
O especular é o que recuso
"n" ou "x" sem resultado ou
pressuposto, faço pulos
de contatos demorados.
rascunhos
que mostro em meus cálidos papéis
faz-me perder em eternos começos
em labirintos mais fácil fazer-me.
(Esqueça os dourados retratos que escrevo,
sentidos em face e desejo cortantes.
Proteja-se em luvas que eu mesmo emprestei
sem lágrima ou sangue de antes, lavadas.
vezes 2 = 2x
Se me deram em questões
Dados e dados dados
Jogo analítico à mente.
E tudo se faz diverso
Disperso, não mais conjunto
explícita e sóbria que implica
a dor, ida de pensamento.
Não respondo ao horizonte
pois teu cérebro não se contenta
com minha (in)vocação.
O mais fácil do acerto
é menos falar objetivo
é ter-lhe olhos: subentendo.
acalanto
Basta uma parte de seu cárcere, um único tombar de pálpebras, para que meus provérbios percam sentido, pra que eles se preocupem apenas em me nutrir dos pés à tolerância. Para que eu me veja de novo, apenas mais uma vez, amparando-te o desmaio, quero velar teus poros abertos quando não mais houver tua covardia.
(texto que compõe "Adiamentos", de dheyne de souza: www.incontinenciapoética.blogspot.com)
solicitações
Tem não!
Cinco? Vou ver.
Mais um?
Esse tem.
Já foi!
Sim, senhor.
Deixou não.
Liga depois.
Hoje não, obrigada.
Trouxe de casa.
Vai bem, obrigada.
Até amanhã.
Termino amanhã...
tá bom!
(E a Maria?)
Só isso?
Amém.
Amanhã num dá.
Falta de tempo.
Claro que vamos!
Tudo, e o senhor?
Era só febre.
Amanhã posso!
-Um momentinho...
Tem sim senhor!
-Então té +.
Pois não?
Não senhor
Não seria melhor...
(...
...
...)
Bom dia...
(Pela Maria,
só por ela!)
percálcio
Um instante, instinto s/n°, soberba atenção
desmembrada, sem cantos, sem cantos
para cada sentido um lugar no corpo
para cada sentido um lugar na linguagem
eis que linguagem e corpo se separam
se encontrado, paralelas,
em algum outro percálcio.
(comentário da dheyne)
As sangrias que respondo por meus receios
não são nem de perto nem de longe cicatriz
Mais que falta de palavras, é segredo
meus receios
não são nem de perto nem de longe cicatriz
Mais que falta de palavras, é segredo.
O que cadaveriza um diálogo,
o que desmistifica um pólen
o que mortifica o poder ser
um crédito d'amor que é desdito.
Maltrato do eufemismo em procissão
consumo dos meus risos em seqüência
Desdigo, se preciso for meu golpe,
contra cada romaria surda e cega.
valoração
é embrulhado em embalagem
de papel REPORT
pois minhas pastas estão na loja
e os papéis virgens já foram vendidos.
Os meus ouvidos sãos,
saturados de gratuidades humanas,
não se permitem mais ser entrada de falaceadores
que permutam das palavras os sabores
com abraços de "quer carona?".
O meu mundo no papel
desagradavelmente é o melhor que existe
pena que não saia do grafite
para a máquina massificadora
de grandes engrenagens sinceras.
O meu ódio
vem do carregar lembrança acústica,
de decifrar em olhar corrosivo tua astúcia,
de não poder publicar que teu beijo putrifica.
E, antes que eu também me torne rica,
trespassarei um garfo em cada parte que tocaste,
pra que a minha pele do ouro de suas unhas salve e guarde,
pra que haja vida, ao menos, em viva carne.
mãos de vidro quebrado
Numa caixa sem quinas
Não há teias de aranha
Não há, e isso é bom.
Nada de insetos
e isto é planta sã.
Se houvesse o que brotasse
da límpida vidraça quintana...
Meus passos despedem-se
da terra e dos fios
Sem norte e sem morte, nem sorte
Amém, corte
dos vidros, e tem-se passagem;
dos fios, e tem-se barragem;
da vida... passagem?
sempre há busca do partir
E nenhum pensamento sobre
o aproveitamento do espaço de quinas
ou de suas ruínas.
Apenas lamentos e cacos nas lágrimas,
Mãos molhadas e sangue nas mangas da camisa.
patriarca
reduzo às cinzas o olhar de sangue irritado
quaisquer que vejam a atitude-sangria
sentirão, espero, o ser-chefia coagulado
(...)
e que delícia de cor nos pés!
lembranças
anonimar
(texto publicado no 19 ° DC)
afresco
(texto publicado no 18° DC)
duvidar sempre
As gotas da chuva são facas cortantes amenizadas por Deuspara nos matar pouco a pouco a fim de pagarmos por nossos pecados os quais esquecemos todos os dias.
As nuvens, carregadas e negras, se tornam as mãos da justiça responsáveis por nos (sub) julgar, fazendo-nos lembrar todos os dias do que esquecemos.
O escoamento das águas nos arrasta os pés, provocando o encontro de nossas costas com o chão.
Nossos olhos, privados de lágrimas, contemplam, agora, o infinito céu em fúria.
Os raios do Sol cecam nossas feridas as quais as gotas rasgaram, e nos dão a esperança de que nossos pecados serão eternamente renovados.
Tão grandioso é o fato, fazendo com que Ele leve as mãos ao rosto para não nos ver secar, que me atrevo, todos os dias, a fazer-me nuvem carregada:
o Sol é criação divina.
(texto publicado no 16° DC)
n(ã)o g-ê-n-e-r-(o)---a-l-i-s-e-me
- Oi. (Isso. Sente-se. Tome um café. Verás como te recebo como quem se atenta à Quarta banda alternativa da noite que toca a Quarta música de dois minutos do compositor que tinha o quarto por companhia, a arte por razão, o agir por satisfação e a vida por religião. Mesmo quando esta lhe causa dúvidas desconcertantes ou dorme de cabelos soltos, mãos próximas ao rosto, pés se aquecendo, e olhos se escondendo do mundo em movimento. Voraz como o sermão do teu pai à janta, de tua mãe à faxina, de teu irmão ao futebol televisivo, é a forma como insulto a ti em minha mente só por ter aqui estado, da comida se fartado, do vinho provado, no banheiro se aliviado, do telefone usufruído e a minha mão estendida rejeitado quando o que mais se ausentava de mim naquela noite era o completo apoio moral, subjetivo em classificação morfológica, mas concreto como a ti mesmo, tudo isso naquela mesma noite. Também fiz tudo isso: estive em seu corpo, me fartei de seu barulho, provei daquele lugar imundo, aliviei-me com vários suspiros e usufruí de sua imagem me embebedando, os olhos quentes em suas promessas. E você vem, bebe da minha boca, come da minha cama, se farta da minha carne e me deixa de mão ao ar. Não me conhece, não é? Pra mim, você é “eu”. Pra você, eu sou “tu”. OK. Tá bom. Use-me. Se gabe aos amigos. Fodam-se as idéias, os ideais, os que mais pareciam valer a pena. Só meu corpo está contigo. Só, meu corpo parece estar aqui. Mas algo me espera além daqueles selos de adolescentes: drogas, tragos, bagos, bundas, imundas vidas boêmias, algo maior que o seu indicador macho-irônico sexual, algo muito maior. Algo que verdadeiramente existe e que, honestamente, é a única coisa que merece espaço em minha mente, meu amor. Não me guarde em lugar nenhum dentro de você, aliás, guarde-se do mundo. Faça-me esse favor. Ou aprenda algo próximo do que, geralmente, as pessoas simplificam: “sentimento humano”. Cretinice. Olha, ainda ri! Que desgr...)
- Até mais.
- Ah! Tchau.
- E hoje à noite, o de sempre?
- É só ligar...
(texto adaptado do publicado no 15° DC)
( )
momentos e seus espaços
(texto publicado no 13° DC)
podes tentar compreender-me, mas... só tentar!
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Perfeitamente compreensível o fato da não necessidade de um beijo. Mas quando dado à e na pessoa que lhe desperta a sensibilidade e incomoda a razão, sem que tal ação provoque o pensamento de ser este o ato maior do relacionamento humano, saiba da última coisa a qual precisas saber: Sua presença no Mundo Humano é contestável e apta à conclusão: Desnecessário ser!
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Um gesto simples que é tocar o rosto próximo escreve histórias incontáveis nas mentes alheias brancas, prontas à impressão. Pena que a imaginação desta época só trabalhe os temas vis. Pena também encontrar-me como um "desta época".
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De olhar ao alto é que me canso
E por cansaço entendas alegria, amor.
De pousar em escadas, me distraio.
Por distração percebas tristeza, ódio.
E assim é que vou vivendo a vida:
Pousando em escadas,
Olhando, sempre, pra cima.
Embora, às vezes, eu decole,
Vendo-te cá em baixo.
(texto publicado no 11° DC)
“a vida é uma corrente de nós, como nós somos nós na corrente de outras vidas”
(texto publicado no Editorial do 10° Demo Cognítio, ano 2002)
extinto
Dos que te cercam
Pareça te machucar.
Você acha que de costas
Me dá todas as respostas
Pra não mais te acusar.
Aparente carência, se jogando à margem
Declarando miragens, olhares sangrando
Aparência por horas e horas: embriaguez,
pintando instinto de sobrevivência.
Descarta todos que o fazem ser,
O contrário daquilo que cuidou parecer.
Pra que a imagem não perca ser véu
Se faz com lágrimas que exalam absinto.
Brancura fingida, toma vinho por céu.
Se vê condenada vítima, vítima!
Todo aquele rubor que nunca foi seu
Se encontra aparentemente extinto.
tendà cultura
temporário para outros;
Pode ser feita de várias situações brasílicas
sem tamanho;
Barraca de altura;
Barraca d'arte;
Pequena loja de peças, produtor de cantaria,
Imagens Goiás plantadas em solo campina,
Brasil:
Artista-oficina.
par(ei!) - parei
Que queda é que dói
Prever-se calado ante frívolos
Já besta uma basta
Cócegas, cáspita
Cágados, morsas
Mais uma de Zorra
E até a foca te corta.
Malograr
Carteado, cortar cartas
Carroído, inapetente
Sabedoria inane
Sacia doravante
As atitudes vícios vozes
Vagos termos temos
Três descartes tivemos
Todos sem razão.
Partido
Piadinhas poligínicas
País pluripartidário
Perversões pubísticas
Pobres Palavrões
Podres varões
Verdadeiros Vândalos
Pichadores de parede.
Admirando
Parceiros de gênero
Picassso, Paul Gauguin
Percalços por conseqüência
Paisagens pitorescas
Pobre Van Gogh pobre
Verdadeiros Vândalos
Das depreciações.
Agora sim, prossiga
desvelo
Desordenado sentimento
in tentamento
em pensação
eu tento inteiro
corpo em vultos
frutos secos de esfoliação
Enredo humano.
Dez ordenados sem ti, minto
item tormento
inpensa são
eu tem tu inter
corpúsculos
sucos semens dez folias são
Em rede uma nu.
Dos condenados zem temido
tem Tór vento
imprensa vã
eu héin? o "até que
cor, músculos..."
sul com sete e três "ão"
e re dado, amo.
... aos poucos a vigília dos cachorros esfoliados,
em uníssono ressoa pela madrugada insone.
pesar
Sono faltando
Sem braços dados
Ou mãos afagando o porvir
Encruzilhada,
Os olhos fechando
Sem braços ao lado,
Pranto.
Desato os meus ombros do mundo
Descanso
pele res
Ampara-me do frio
Que a ausência do meu sol...
O que é só meu?
Sobriedade.
A cada fenda conhecida
Descubro-me incapaz
Por deixar escapar luz e ar...
Poluídos.
A cada visita
Me comprazo ser maior...
Que uma pedra
Uma faca
Um fuzil.
(Compreendo a inimizade à mão).
Frieza no rosto:
Vê, mas não liga
Eterno "hoje não!"
Se vê inimigo da mão
que suplica o amor.
Gélida esmola:
Alimento à moela
Quem antes nega dá
Ao chão seu valor.
Possui olhar cobrador.
A fonte dos olhos secou.
Eu ausente incomodamente.
Sobra e idade.
O passatempo se acabou-se
No bloco D, área 12
Se foi a visita que sobrou
Resta o ato bemol, descascada
Pele ressecada.
revisão do conceito
Ultrapassamo frio?
- Preguiça!
Fatigado céu
De poesia decaída
Cerra os olhos pra fugir.
- Inveja!!
Nada de luz de lua,
Luz de rua escura e gélida.
Quer mais...
- Luxúria!!!
Tua soberba excreção
De ideais avarentos,
Ira, Raiva, Guerra.
Por muitos anos muitos somem e,
Quando comem, fome compulsiva
Para os porcos poucos
Gulodice dos rotos.
Utopia estética alienante
Não se juntam à cidade
O Humanamente importante
Humildade e caridade
Não me sobra Paciência
Pra reconhecer que deixamos por herança
Arcabouços de experiências,
Apetite sem esperança.
(Novembro de 2005)

